A SAÚDE MENTAL pressupõe bem mais que a ausência de transtorno mental, antes, é um conceito que se relaciona com qualidade de vida cognitiva e com equilíbrio emocional. O sofrimento psíquico pode se expressar de variadas maneiras: angústia, ansiedade, tristeza, depressão e, no corpo, sob a forma de transtornos psicossomáticos. Acolhemos e tratamos, de forma multidisciplinar, pessoas que necessitam de apoio. Nosso Espaço oferece atendimento individual, grupos terapêuticos e variadas oficinas terapêuticas.


07/09/14

Cine ESTARTE: "Do fundo do coração" (a história do processo de recuperação de um alcoolista)

Amigos, 
O Cine ESTARTE apresenta "Do fundo do coração", um drama que conta a história de Dick Wallrath (interpretado pelo ator Jon Gries), um dependente de álcool que vive em uma pequena cidade do Texas, nos EUA. Depois de muitas perdas ( financeiras, familiares, sociais, etc.) por conta do abuso do álcool e da agressividade, passa frequentar as reuniões do "AA" (Alcoólicos Anônimos) e segue os doze passos para a recuperação. Uma história de esperança, que mostra que é possível a recuperação do ser humano se recuperar do vício.

Contatos do Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência Química: Rede Abraço (Vitória/ Espírito Santo)


Olá amigos,
Muitas pessoas têm telefonado pedindo informações sobre o acolhimento no Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência/ Rede Abraço. Para mim é uma satisfação ajudar! Primeiramente, a pessoa deve ligar para o Cal Center, onde uma equipe especializada dará orientações sobre os diversos cuidados na temática da drogadicção, bem como, esclarecerá as dúvidas existentes.

Número de telefone do Cal Center: 
0800 – 0281028 
Atenção
horário de funcionamento do Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência/ Rede  Abraço é de segunda a sexta de 7:00h as 19:00h. Sendo que aos sábados o atendimento é de 8:00h as 18:00h. O Centro de  Acolhimento para Pessoas com Dependência fica na Avenida Getúlio Vargas, nº 285, Centro de Vitória  (ao lado da Praça Oito). (Ver mapa)


Não desista! Tenha esperança!
Abraços fraternais,
Dra. Renata Bomfim). 
(Arteterapeuta na Rede Abraço)



ATENÇÃO: 
Outras entidades trabalham na causa da dependência química, algum desses grupos pode te ajudar. São eles: o Narcóticos anônimos/ "NA" (http://www.na.org.br/); o Alcoólicos Anônimos/ "AA" (http://www.alcoolicosanonimos.org.br/); para as familias o Nar-Anon (http://www.naranon.org.br/) e o Al-Anon (http://www.al-anon.org.br/); o Amor-Exigente (http://www.amorexigente.org.br). 

16/08/14

Vivência Socioambiental da Terra, ministrada pela poeta e arteterapeuta Dra. Renata Bomfim, completa 15 anos de existência, sendo oferecida a variados grupos

"Amo a terra
das entranhas ao infinito
e aos seus arabescos conflitantes
 divinamente pintados em aquarela"
(Renata Bomfim)

OLÁ AMIGOS, 
COMPARTILHO COM VOCÊS A ALEGRIA DE VER NOSSO 
TRABALHO COMPLETAR BODAS DE CRISTAL. 

A Vivência Socioambiental da Terra nasceu em 2000, quando eu ainda era estudante de artes na Universidade Federal do Espírito Santo. Ao participar do Programa Universidade Solidária, do Governo Federal, eu e e mais nove estudantes de cursos variados fomos enviados para desenvolver trabalhos em uma cidade do interior da Bahia chamada Macajuba. A dificuldade de conseguir tintas, pincéis, papéis, etc, nos levou a buscar conhecer o potencial da região com relação aos materiais. Soube então que havia uma fabrica de telhas próxima, e que poderíamos utilizar a argila para desenvolver as atividades, inicialmente, com as crianças e adolescentes.

O local escolhido para essa oficina foi um coreto que ficava no centro da cidade. Para nossa surpresa, além das crianças e adolescentes apareceram pessoas de variadas idades. Pela primeira vez eu vi a força desse trabalho, tanto o seu potencial simbólico, quanto de unir o grupo, de fazê-los compartilhar experiências, de mostrar a poética que, muitas vezes, o nosso corpo esconde, as mãos por exemplo. Depois dessa experiência vieram muitos grupos e a minha formação foi totalmente direcionada para o campo da saúde mental. 
Agradeço a Deus a honra que me concede de trabalhar com pessoas. 

Nesses 15 anos, a  VIVÊNCIA SOCIOAMBIENTAL DA TERRA já foi ministrada para mais de duas mil pessoas, entre elas crianças, adolescentes, empresários, gestores, professores, policiais, médicos, e muitos outros grupos aceitaram a proposta de pensar a sustentabilidade, a vida, a morte, as emoções, os desejos, a partir da modelagem desse material privilegiado, sagrado: A TERRA. Só no Mosteiro Zen Budista, em Ibiraçu, a Vivência da Terra é desenvolvida, desde 2008, para variados grupos, especialmente no Programa Zenzinho, com estudantes da rede pública estadual do Espírito Santo, e no Programa COMPAZ, com policias militares, civis e bombeiros do Estado do Espírito Santo 
(ver depoimento)


"Ter participado da "oficina/ vivência de arteterapia" foi uma experiência um tanto diferente. Sou apreciador de música, cinema e literatura. São formas de arte bem acessíveis e mais difundidas. Em arteterapia, produzir uma "escultura" foi interessante, uma vez que minha atenção se voltou totalmente para a obra que eu estava fazendo. Nem ao menos tive a curiosidade de olhar ao redor para ver o que os demais estavam produzindo... Nem mesmo algumas fotos que eram tiradas aleatoriamente tiravam minha atenção. Foi um bom exercício de concentração. 
Escutava ao fundo histórias contadas pela professora Renata, uma espécie de trovadora. Assim o ouvido se mantinha nela e o resto na escultura. Quanto ao que eu produzi, revelou muito sobre a minha pessoa, sobre lugares que gosto de estar e o que gosto de fazer nos momentos de folga. A escultura que produzi me trouxe boas recordações. 
O local em que a atividade foi desenvolvida foi outro fator muito bom. O fato de estar praticando a atividade dentro de uma reserva de mata atlântica, numa casa de arquitetura oriental, no alto de uma montanha, com uma temperatura agradável e uma vista bacana foi um diferencial" (Sd Theotonio Silva de Oliveira- 3º pelotão) 


Agora, tenho a felicidade de compartilhar essa reflexão com os cuidadores e os acolhidos das comunidades terapêuticas do ES, bem como, de implentar oficinas terapêuticas nesses serviços com outras expressões da arte como a pintura, a poesia, o movimento. Agradeço a cada participante da Vivência a confiança, recebam meu abraço carinhoso. Enfim, nas bodas de cristal da Vivência Socioambiental da Terra sou eu que ganho o presente, pois essa trajetória dá um sentido especial a minha vida. 

Dra. Renata Bomfim


Segue o Programa Globo Repórter que fala sobre a Mata Atlântica capixaba e nele vocês verão o PROGRAMA ZENZINHO, do Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu, do qual sou educadora ambiental desde 2008. A Vivência socioambiental da terra também faz parte desse Programa.

10/08/14

Quer concluir o TCC/ Dissertação/ Tese e não consegue? (apoio psicológico e orientação teórica e metodológica em Vitória/ES)


Conversa, cuidado e cidadania na prevenção as drogas

Amigos,
A infância gera vivências significativas e que impactam o adolescente na sua formação. Por isso a família deve influenciar positivamente o adolescente para que este desenvolva emoções, comportamento e habilidades salutares, deve servir como uma rede de proteção para que este seja capaz de evitar experiências como a uso de drogas.


Os três "C"
Conversa: uma conversa só gera os efeitos esperados quando há sintonia entre as partes. Dessa maneira, não basta falar sobre prevenção de drogas, é preciso que se fale num nível de respeito, de abertura e compreensão. Lembrando que drogas são também químicas que se utiliza no cotidiano, os remédios, cigarros, produtos de limpeza e perfumaria, as bebidas alcoólicas. 
Cuidado: as conversas devem ser vinculadas a uma forma de convivência que privilegie o diálogo, e na qual o adolescente se sinta amado. Essa aceitação gera confiança e tranquilidade para que o adolescente lide com as pressões próprias da idade e com as pressões sociais vinculadas ao contexto aonde vive. O amor deve ser demonstrado através de gestos, carinho, abraços, palavras de incentivo e de força, e com a presença na vida dos filhos. A independência do adolescente deve ser incentivada, mas com limites definidos e, até mesmo negociados com o mesmo, pois, ele deve compreender que a confiança dos pais deve ser conquistada a partir da responsabilidade que assume sobre si mesmo e sobre os seus atos. Os adolescentes devem ser ajudados na sua auto-estima, ele deve saber que VALE A PENA,  não deve duvidar do seu valor, tanto para a família, quanto para a sociedade, pois pode trazer grandes contribuições a partir da sua singularidade. Insira o filho nas atividades do cotidiano, da casa, valorize a maneira como ele vê o mundo, evite rir de seus erros, aponte o quanto ele pode crescer e aprender com os mesmos. Seja um modelo, lute para melhorar, seja uma referência para o seu filho. 
Cidadania: Devemos ter em mente que o mundo não se resume ao núcleo familiar, é impossível criar filhos em bolhas, isolados, é preciso lutar por um mundo melhor exercendo a cidadania, se interessando pelo bairro onde vivem, por exemplo, não aceitando que os bares vendam bebidas para menores, contribuindo com a limpeza, a segurança, ou seja, deixando de ser passivo e agindo em prol do bem comum. 
*RB


* Texto apoiado na cartilha para pais e crianças/adolescentes, do Ministério da Justiça/ Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

09/08/14

Dependência química: a importância da reflexão e da conscientização do dependente no processo de recuperação e mudança de vida

...é muito triste ligar a televisão e ver, seja nas propagandas, ou nos filmes, novelas, seriados, o quanto as drogas ainda são tomadas como "hábitos inofensivos" e até mesmo "inocentes" e sem consequências. É preciso que reflitamos, enquanto sociedade, sobre as escolhas que fazemos agora, pois elas repercutirão a curto e a longo prazo, e que entendamos que o hoje está inserido em um processo histórico que nos trouxe a uma crise de valores. A drogadicção e uma série de outras mazelas sociais não são a causa, são o efeito. Tratar da dependência química pressupõe tratar um ser humano que perdeu a fé na vida e em si mesmo, as nuanças dessa situação são muitas, muitos já nascem inseridos em contextos dos quais outra forma de vida seria muito difícil,  tratar é acolher, cuidar, encaminhar na vida, e mostrar que há motivos para viver, e que muitas vezes esses motivos não são dados, antes, são construídos no dia a dia. 



A CONSCIENTIZAÇÃO É UM PROCESSO... 
Não espere amanhã, comece agora A LUTAR POR UMA VIDA DIFERENTE! Busque informação, busque ajuda, busque apoio, estenda as mãos e saiba que elas não voltarão vazias! Tenha fé em Deus, independente da sua religião, TENHA FÉ EM VOCÊ!!!!

Primeiramente é importante que a pessoa quantifique, ou seja, descreva mudanças no comportamento atual que repercutirão na recuperação, especialmente aqueles relacionados as drogas (álcool, tabaco, e outras drogas). Pergunte a si mesmo o quanto usa atualmente, se todos os dias, se pelo menos 3 vezes por semana, se todo fim de semana, se uma vez por semana? Tenha esse valor claro na mente. 
Depois, é importante identificar os possíveis males que esse comportamento está gerando: as doenças, as dores, os acidentes, os prejuízos sociais, profissionais, familiares, as dívidas, o excesso de gasto, as implicações legais como advertência e detenção, os prejuízos escolares, etc.

Esse é um passo importante! a conscientização é uma ferramenta de mudança de vida! 
FAÇA O PROPÓSITO DE DIMINUIR A FREQUÊNCIA DO USO, DIMINUIR A QUANTIDADE COM VISTAS A PARAR DEFINITIVAMENTE O CONSUMO DA DROGA. Escreva no papel o seu propósito, cole ele na porta do seu banheiro, do guarda roupas, na cozinha, na sala e coloque uma data.

Faça um exercício de prós e contras, anote as coisas que você considera positivas e as que considera negativas na sua vida SE VOCÊ MANTIVER O MESMO COMPORTAMENTO. Em um papel escreva de um lado: ASPECTOS POSITIVOS,  e do outro: ASPECTOS NEGATIVOS. Por exemplo: pessoas dizem que sentem que o cigarro é uma companhia, então "companhia" é positivo, mas o cigarro faz mal à saúde, estraga os dentes, deixa mal cheiro nas roupas, etc, esse é o lado negativo. Esse é um importante exercício de conscientização. A partir da consciência gerada pelas reflexões que andou fazendo, e da percepção das mudanças que podem acontecer na sua vida com novos hábitos, monte um plano de METAS E TÁTICAS.

A força de vontade é muito importante, mas é importante também medir os seus progressos, comemorar cada conquista. Assim você entenderá com mais clareza os erros e os acertos e esse será um plano de apoio ao qual poderá recorrer sempre que precisar.

ESTABELEÇA METAS:
O que eu quero? Lembre-se que estabelecer metas pressupõe assumir compromisso com o seu cumprimento, implica se responsabilizar, aceitar o desafio... EX: "Vou parar de fumar maconha no dia "19" (esse é o meu número da sorte); Vou diminuir o cigarro no dia "X" e no dia "X" tempo vou parar definitivamente de fumar, ou beber.

COMO É QUE VOU CHEGAR LÁ?
O uso de drogas e o abuso de remédios tem variadas causas. Muitas utilizam para poder lidar com questões da vida (para se acalmar, lidar com luto, perda, quando está triste, ou quando está feliz, para poder falar em público, para a depressão, para ouvir música, etc.) Diante das situações que levam ao uso da droga a pessoa poderá antecipar ações que mudará o curso da ação, por exemplo, IDEIAS E ATIVIDADES SUBSTITUTAS, ou seja, ações saudáveis que substituam o suo da droga.
Pense em algo que você poderia fazer, algo que gostaria de fazer, pense que poderia adquirir algo para você ou para a sua família com o dinheiro que gasta com o cigarro, ou uma atividade que te dava prazer e você deixou de praticar, faça uma lista de atividades ao seu alcance, convide alguém vinculado ao seu processo de recuperação para acompanhá-lo. Pense em respostas criativas para recusar a droga, o cigarro, a bebida quando alguém lhe oferecer. outro exemplo: ao invés de sair para tomar bebida, saia para tomar ar fresco, leve um livro, ouça musica, encontre um amigo para desabafar. 

BUSQUE APOIO

Assim que você colocou na balança os prós e os contras de sua decisão, e criou vias alternativas ao uso da droga, busque fortalecer essa rede de apoio junto a outras pessoas que tem lutado, assim como você, e tem encontrado caminhos, busque um grupo de ajuda para compartilhar, pessoas que acreditem em você. Se achar difícil não desanime, persista!

Fortalecido e firme na sua decisão, defina um dia no calendário e comece uma vida nova! 

* Esse texto escrevi apoiada na cartilha "Drogas: mudando comportamento", do Ministério da Justiça/ Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

05/08/14

Video para grupos de trabalho: a casa de cubos

Amigos, essa bela animação me foi apresentada pela amiga Helena, é uma possibilidade lúdica para se trabalhar com variados grupos. Espero que curtam!
abraços
*RB


Achei esse vídeo, acho que ele tem haver com a animação.

UM AMOR PARA TODA A VIDA

Programa Zenzinho: educação ambiental para alunos da rede pública de ensino do Estado do Espírito Santo

O Programa de educação ambiental para estudantes da rede pública de ensino, do Mosteiro Zen Morro da Vargem/ Ibiraçu, completa 18 anos. Tenho a alegria de participar das atividades do Mosteiro, e de contribuir com este programa desde 2008. O Zenzinho compreende que para se trabalhar com o público  adolescente é necessário uma abordagem ampla, que concilie as diferentes dimensões do seu viver: subjetivas, comunitárias, sociais, políticas, de saúde, etc. Por isso lança mão do método sistêmico nas suas ações, conjugando atividades lúdicas, com momentos de reflexão, e práticas vinculadas ao universo zen como a "não ação", o "zazen". No dia 31/07 nos reunimos para mais uma "Oficina de arteterapia", foi emocionante e gerou importantes analisadores dentro do grupo.













01/08/14

Dra. Renata Bomfim

Olá amigos,
No dia 30/07  eu defendi a minha tese de doutorado na UFES com a pesquisa  "A Flor e o Cisne: diálogos poéticos entre Florbela Espanca e Rubén Darío". Foram 5 horas de sabatina (das 14h às 17 horas). Agradeço aos amigos que foram me prestigiar, agradeço o apoio das professoras Maria Lúcia Dal Farra e Ana Luisa Vilela. Bem, enfim doutora! O percurso de pesquisa foi uma das melhores experiências da minha vida. Graças a esse estudo fiz amigos na Nicarágua, em Portugal, em Espanha e cresci como pessoa e como pesquisadora. Recebi voto de louvor pela pesquisa e indicação para publicação. Abraços a todos...
Dra. Renata Bomfim










25/06/14

Imagens do seminário da Semana Estadual sobre Drogas: EU ESCOLHI VIVER BEM (25 a 29 de junho de 2014)

SEMINÁRIO INTERSETORIAL PARA A FORMAÇÃO DE MULTIPLICADORES DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS (HUMANIZAÇÃO E EFETIVIDADE DO TRATAMENTO)

AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA E DE HUMANIZAÇÃO NOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO Á SAÚDE

Quero agradecer a Coordenação Estadual sobre Drogas (CESD) pelo convite, e aos amigos que prestigiaram o evento.

O meu percurso como profissional de saúde mental começou em janeiro de 1999, quando ingressei na oficina terapêutica de pintura do CAPS/ Ilha de Santa Maria, como membro do Programa de extensão da UFES, Cada Doido com Sua Mania/ CDSM. Nessa época eu era estudante de artes plásticas. Essa experiência marcou a minha vida, e desde então passei a direcionar a minha formação para campo profissional da saúde mental. A década de 1980 e 1990 foi de efervescência no campo da assistência à saúde mental, por conta da “reforma psiquiátrica” brasileira, movimento que culminou com a promulgação da Lei de Saúde Mental, em abril de 2001[1]
No Espírito Santo o Hospital Psiquiátrico Adalto Botelho, fundado em 1954, durante muito tempo reproduziu a realidade de outros manicômios brasileiros: era um depósito de gente, centro de exclusão. Séculos de funcionamento dos manicômios mostraram que esse modelo asilar e excludente inviabilizava as ações de humanização e, posteriormente de melhora dos indivíduos e, consequentemente, tornava praticamente impossível a reinserção social dos mesmos. A necessidade de se resgatar a cidadania do dito “louco”, fez com que nesse período um grande escopo de práticas e saberes se desenvolvesse: assistimos ao nascimento de uma nova clínica, na qual a loucura não é o lado avesso negativo da razão, antes, uma outra forma de subjetividade que foge ao padrão considerado “normal”. Um breve olhar sobre as oficinas terapêuticas no Espírito nos remete, irremediavelmente, para o trabalho pioneiro do Programa Cada Doido Com a Sua Mania, do qual fiz parte entre os anos de 1999 e 2007. Esse programa nasceu no centro de Psicologia da UFES e convocou psicólogos, artistas, arquitetos, advogados, e outros campos do saber para integrar a rede de atenção de saúde mental capixaba. O CDSM ingressou no Hospital Adalto Botelho em 1984, nessa época, o projeto se chamava “Grupos operativos” (Atendimento individual, entre outros). Em 1886 o grupo inseriu aos grupos operativos as oficinas terapêuticas com pacientes internados e 1992 passou a ser chamado Cada Doido Com Sua Mania, o Adalto Botellho ofereceu Oficina de Pintura, de eventos, entre outras. O CDSM, desde sua criação, trabalhou por uma clínica cujas práticas interdisciplinares gerassem uma cultura profissional mais humanizada e adequada ao contexto da saúde pública articulada à formação profissional em diferentes níveis, a saber, ensino, extensão e pesquisa. Com o fim do contrato entre a Universidade Federal do Espírito Santo e o Governo do Estado, o CDSM sai do Hospital Aldalto Botelho para, junto com a equipe de saúde mental da Prefeitura Municipal de Vitória/ SESA, estruturar o primeiro CAPS capixaba: o CAPS Ilha de Santa Maria, fundado em 1996, em Vitória. O CAPS é um modelo de assistência substitutivo ao modelo hospitalocêntrico representado pelos manicômios. Nele o paciente passa o dia e a noite volta para casa. O CAPS Ilha de Santa Maria foi uma escola para mim, e essa experiência estruturação e realização de oficinas terapêuticas seriam enriquecidas nos demais serviços por onde passei, a saber, o Ambulatório de saúde mental para crianças e adolescentes, no Hucam, que tinha como objetivo ser o primeiro CAPSi do ES; o Centro de Atenção para Crianças, Jovens e adultos, CACIA/ UFES, quando a clínica da psicose se abriu para a da neurose. Em 2007 as oficinas terapêuticas de poesia realizadas com diferentes grupos despertaram o desejo conhecer mais profundamente esse campo da linguagem, o poético, ingressei então no mestrado de letras da UFES e, em 2010, no doutorado de letras, intervalo temporal no qual a minha prática com oficinas terapêuticas se diversificou. Atualmente desenvolvo as oficinas terapêuticas no Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu/ES, no ESTARTE e em organizações públicas e privadas.
A arte contribui para uma clínica mais criativa, fundamentada num olhar menos comprometido com a patologia e mais implicado com o humano. As Oficinas Terapêuticas são ferramentas privilegiadas de intervenção e tratamento terapêutico que estão ao alcance de todos, e que junto a outros serviços permitem uma cobertura mais ampla, não somente do paciente, mas também de sua família. Atividades que possuem um caráter desinstitucionalizante, as oficinas terapêuticas se ligam a um paradigma diferente do dualista cartesiano que marcou a sociedade e se refletiu em vários campos do saber humano. Nesse novo paradigma, os indivíduos buscam se reconhecer como BIOPSICOSSOCIAIS e espirituais, ou seja, seres que inter-relacionam suas partes psíquica, física, social e espiritual. As ações desenvolvidas nesse serviço devem, fundamentalmente, passar pelo caminho da inserção dos pacientes,
1.         Acredito que o marco primeiro da oficina terapêutica é que seja um espaço dialógico de acolhimento e de livre expressão.
2.        O trabalho coletivo, o agir, o pensar, o refletir a partir de uma lógica inerente ao paradigma psicossocial, na qual a diversidade, a subjetividade e a capacidade de cada indivíduo é respeitada, são alguns dos objetivos das oficinas terapêuticas.
3.      Os encontros nas oficinas devem produzir relações horizontais e de aprendizagem a partir das quais, pacientes e equipe, devem ter como foco o desenvolvimento da autonomia do paciente, passo importante para que esse se reconheça como cidadão (alguém com nome, com data de nascimento, com direitos, inclusive direito ao sonho, e não mais um número na estatística, uma patologia, “lá vem o bipolar”). O sociólogo Zigmunt Bauman, pesquisador dos fenômenos sociais contemporâneo, destacou que somos: “uma sociedade de consumidores”, vale destacar que as oficinas terapêuticas são uma forma de resistência ao sistema social vigente de consumo, elas colocam o individuo no mundo da produção, tanto de algo (documento plástico terapêutico), quanto de si mesmo. Ou seja, torna possível uma identidade outra.
4.        O trabalho a partir do campo simbólico permite a transformação da realidade objetiva, campo propício para a expressão da singularidade e subjetividade.
5.        Durante as oficinas os pacientes interagem uns com os outros e com os materiais e técnicas.
6.        O s conflitos internos e externos podem se projetar a partir do material, e a partir daí podem ser elaborados: os afetos podem ser catalizados.
7.        Essa prática propõe facilitar, por meio das múltiplas possibilidades da arte, a expressão da singularidade e da subjetividade, num espaço de convivência, criação e reinvenção do cotidiano.
8.        A oficina terapêutica não objetiva formar artistas, antes facilitar a expressão subjetiva dos seus participantes. Existem as oficinas de geração de renda, essas possuem objetivos específicos e importantes dentro dos serviços de saúde, pois, buscam capacitar os participantes em uma determinada prática, ou na produção de algo que pode ser comercializado, com vistas a que esse se insira no mercado de trabalho, e ganhe alguma autonomia (entre elas a econômica).
9.        Busca-se empoderar a pessoa por meio das práticas artísticas, enriquecê-la a partir da troca de conhecimentos, para que desenvolva uma postura crítica que o leve a tomar as melhores escolhas para a vida.
10.    Essa prática é lúdica, envolve o brincar e o aprender, ela é também catártica e, segundo a psicanálise, possibilita uma suplência subjetiva, ou seja, permite que o sujeito encene algo no plano simbólico, para que não seja necessário que o faça no plano real. Estudos mostram que a representação não é uma mentira, e nem uma ilusão, antes, ela é uma realidade outra que lança o produtor/expectador em um mundo intersticial, paralelo, onde tudo é possível, até mesmo as grandes mudanças de rumo na vida.

Obs: As oficinas devem resguardar essas características para que não se tornem um serviço de “ocupação do tempo”, mais uma “tarefa a ser cumprida”, por isso os pacientes devem ser partícipes de todas as etapas do trabalho, e deve-se evitar “programar” as atividades, essas devem ser flexíveis (case “Arte de viver”)

[1] Lei nº10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.









Fomos presenteados com a apresentação do coral do Instituto Sócio-Educativo do Espírito Santo. E deixo aqui o meu carinho aos colegas que dividiram comigo a mesa durante a tarde: Laelio Loureiro Del Pupo, da Comunidade Nova Perspectiva; Silvestre Falcão Santana, da Comunidade "Pequena Comunidade Jesus" e Clesio de Oliveira Venâncio, que apresentou os novos arranjos que estão possibilitando a melhora da Assistência à saúde em Cariacica. Meu abraço carinho, também, aos amigos Juliene, Robson, Norlen e a nova amiga Helena de Arruda Penteado, da "Rede Abraço".

16/06/14

EU ESCOLHI VIVER BEM: Semana Estadual Sobre Drogas (25 a 29 de junho de 2014)

Olá, amigos,

O Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Coordenação Estadual sobre Drogas– CESD, e do Conselho Estadual sobre Drogas- COESAD, promoverá a Semana Estadual sobre Drogas, no período de 25 a 29 de junho de 2014, conforme programação em anexo. As inscrições serão feitas no local do evento.

Os trabalhos estão em consonância com as diretrizes da Secretaria do Ministério da Integração Nacional de Política sobre Drogas– SENAD e da Política Nacional de Saúde Mental.


Em breve compartilharei o texto da minha comunicação nesse evento, 
sobre as oficinas terapêuticas. SEgue  aprogramação detalhada do dia 25/06:

Local: Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES
Data: 25/06/2014

08:00h - Credenciamento
08:30h - Composição mesa autoridades
09:30h - Mesa Redonda 1 – “Experiências Positivas de Prevenção”
Mediadora: Clotilde Castro Tóffoli
Tiago Cardoso: Prevenindo o Uso de Substâncias Psicoativas na Escola: O Caso Suzete Cuendet – CEPAD/UFES;
Caroline J. Pinto: “Mudando o rumo das Perguntas: A inclusão dos saberes juvenis no cotidiano escolar dos alunos da Escola Maria de Novaes Pinheiro: Estratégias de prevenção primária da violência no espaço escolar”;
Adriana Madeira: “Rede do Bem Capixaba, uma experiência de prevenção” – UFES;
Glauber Alvarenga Resende: “Plano Terapêutico do Serviço de Acolhimento” – CESD.
11:00h - Debate
12:00h - Almoço
14:00h - Apresentação Cultural: Instituto Sócio-educativo do Espírito Santo
14:30h - Mesa Redonda 2 – “Humanização e Efetividade do Cuidado”
Mediador: Glauber Alvarenga Rezende
Laelio Loureiro Del Pupo: “Efetividade e Humanização nos Acolhimentos e Reabilitação em Dependência Química" – Comunidade Nova Perspectiva;
Silvestre Falcão Santana: “Sete Passos do Processo Terapêutico de Recuperação” – Comunidade Pequena Comunidade de Jesus;
Renata Bomfim: As Oficinas Terapêuticas como instrumentos lúdicos de intervenção terapêutica e de humanização nos serviços de atenção básica à saúde;
Clesio de Oliveira Venâncio: Integralidade da atenção básica: a proposta de Cariacica – PMC.

16:00h - Debate

17:00h - Encerramento

12/06/14

ESTARTE: Consultório de Saúde Mental em Vitória, Espírito Santo/ES/ Tel:. (27) 995.7474.10)



A SAÚDE MENTAL pressupõe bem mais que a ausência de transtorno mental, antes, é um conceito que se relaciona com qualidade de vida cognitiva e com equilíbrio emocional. 

O sofrimento psíquico pode se expressar de variadas maneiras: angústia, ansiedade, tristeza, depressão e, no corpo, sob a forma de transtornos psicossomáticos. 

Acolhemos e tratamos, de forma multidisciplinar, pessoas que necessitam de apoio. Nosso Espaço oferece atendimento individual, grupos terapêuticos e variadas oficinas terapêuticas.

Conheça as nossas OFICINAS TERAPÊUTICAS